TRATAMENTO E CUIDADOS COM OS FILHOTES

 

A decisão de conviver com um cão não deve ser tomada de forma trivial.

Vale ressaltar que a vida de um Mastino Napoletano gira em torno de 8 anos, período esse em que será necessária a disponibilidade de tempo e dedicação por parte de seu proprietário, além de investimento de recursos financeiros para seu correto desenvolvimento e manutenção.

Assim, é essencial que a convivência com ele seja conduzida da melhor maneira possível, incluindo aspectos relacionados à sua educação e saúde, a fim de que se tenha um animal capaz de proporcionar benefícios em termos de segurança, companhia, prazer e satisfação.

Este tópico tem como objetivo, orientar o proprietário de filhote(s) de Mastino Napoletano, no sentido de proporcionar benefícios relativos à saúde e educação”de seu(s) cão(ães), minimizando situações indesejáveis e maximizando sua longevidade.

Dessa forma, seu conteúdo está dividido em diversos “sub títulos” de forma a facilitar a leitura e a compreensão do conteúdo.

 

1 - HIGIENE

A higiene de seu cão deve ser uma prioridade durante toda a sua vida. O Mastino Napoletano é um cão que apresenta como uma de suas maiores características, a abundância de pele e rugas. Essas dobrinhas são propícias à proliferação de fungos, que causam dermatites e outras doenças.

Enquanto o filhote não completar os três meses, os banhos devem ser realizados com a utilização de um pano umedecido com uma solução composta por uma parte de água, uma parte de álcool e uma parte de vinagre (branco). Essa mistura é muito boa na remoção de sujeira e pulgas.

Seque bem o filhote após os banhos, de maneira a eliminar a umidade das rugas e evitar a proliferação de fungos.

Até os três meses de vida do filhote, não utilize inseticidas contra pulgas ou carrapatos. Apesar de existirem produtos bastante seguros no mercado, o filhote sempre corre o risco de intoxicação.

Conforme o cão for crescendo, os banhos podem ser dados em função da necessidade sem, no entanto, exageros na freqüência. Lembre-se que na natureza os cães não tomam banhos!

Os banhos devem ser dados de maneira regular a partir do terceiro mês de vida do filhote.

Os produtos como shampoos e sabonetes devem ser específicos para cães, sendo contra-indicado o uso de produtos para humanos. Em função do tamanho do Mastino Napoletano, pode-se tornar bastante onerosa a aquisição destes produtos.

Desta forma, o uso de sabão neutro, mais especificamente o sabão de coco é uma excelente alternativa para os banhos.

Cuidados especiais devem ser tomados ao realizar a higienização das orelhas do animal, as quais podem ser limpas com um pano ou algodão sem, no entanto, permitir o alagamento dos ouvidos para que se evitem otites e outras complicações.

O Mastino Napoletano tem uma grande propensão à produção de secreção na região dos olhos. Retire a secreção com o auxílio de um algodão embebido em soro fisiológico, tomando bastante cuidado com os olhos do animal.

Vale ressaltar que durante toda a vida do Mastino Napoletano, regularmente devem ser realizadas inspeções em seus olhos. Em função da quantidade abundante de pele que a raça apresenta, os olhos por muitas vezes podem ser agredidos pela pele e pêlos do animal, causando danos à sua visão (entrópio).

Inspecione regularmente os olhos de seu amigão!

 

2 - LOCAL DE CRIAÇÃO

A casa do filhote deve ser dimensionada considerando que um Mastino Napoletano quando adulto se torna um cão de porte gigante. Desta forma, o espaço destinado ao repouso deve ser amplo, a fim de que ele possa se deitar sem que fique apertado.

O local onde ele irá dormir deve ser provido de um tablado de madeira, que irá diminuir umidade e a friagem existente no piso da casa, além de diminuir a ocorrência de calos nas articulações onde o cão se apóia.

Nos casos em que o canil seja gradeado, não se deve desprezar a necessidade de uma área descoberta, onde o cão possa ficar exposto ao sol, necessário ao metabolismo de vitamina "D", fundamental à saúde dos pêlos e ossos do animal.

Outro ponto a ser observado é que a casinha deve ter proporções suficientemente capazes de facilitar sua correta limpeza e higienização. Casinhas muito baixas são difíceis de lavar!

O piso do canil não deve ser liso ou escorregadio. É recomendado que o cão seja criado em pisos de cimento grosso e gramado, uma vez que os pisos lisos e escorregadios geram problemas articulares sérios, colocando em risco a saúde, a postura e a integridade física do Mastino. Lembre-se que você tem um cão muito pesado!

 

3 - VERMIFUGAÇÃO

Desde a época em que está mamando o filhote já é submetido a medicamentos que eliminam os diversos parasitas que atacam seu sistema digestivo e escretor.

Os chamados vermes causam doenças como anemia, emagrecimento, dificuldade na absorção de alimentos, presença de sangue nas fezes, vômito, entre outros.

Como hábito, os criadores costumam vermifugar seus cães com uma freqüência não superior a seis meses. Porém, caso haja sintomas de doenças associadas à ação de vermes, tais como vômito, presença de sangue nas fezes, ingestão de capim ou grama etc., é recomendada a vermifugação do animal.

O mercado oferece uma gama de medicamentos que têm a finalidade de eliminar os vermes. Uma pesquisa de preços é bastante indicada no momento da aquisição destes, uma vez que seus preços costumam ser elevados. Veja a relação custo benefício que envolve as marcas e o espectro de cada uma delas, de forma a otimizar os custos da criação.

A vermifugação de filhotes se inicia 15 dias após seu nascimento. Cada vermifugação é composta de uma primeira dose, sendo repetida 21 dias depois da primeira dose, em caráter de reforço.

Desta forma, torna-se possível o combate dos vermes em seu ciclo completo de vida. A primeira dose elimina os vermes vivos, sem, no entanto, ser capaz de eliminar os ovos depositados no sistema digestivo e excretor do filhote. Com a eclosão dos ovos, o reforço torna-se capaz de eliminar os vermes nascidos, exterminando todos os parasitas existentes.

 

4 - VACINAÇÃO

Enquanto o filhote está sendo amamentado pela mãe, não há necessidade de vacinação, uma vez que o leite materno possui os anticorpos necessários à sua imunização, eliminando a possibilidade de contração de doenças infecto-contagiosas.

Com cerca de quinze dias após o desmame, os anticorpos presentes no leite materno deixarão de fazer efeito sob o filhote deixando-o vulnerável a doenças como a Cinomose, a Parvovirose, Coronavirose, Hepatite Infecciosa, Leptospirose, Parainfluenza, entre outras.

Desta forma, o filhote deve ser submetido à primeira dose de vacina, que deverá ser aplicada por um médico veterinário, que irá definir o cronograma e a programação de vacinas a serem ministradas.

Em geral, as vacinas são aplicadas a cada vinte e um dias, totalizando a aplicação de quatro doses. No momento em que for aplicada a quarta dose da vacina, uma dose de vacina anti-rábica deverá ser ministrada, no intuito de completar o primeiro ciclo de vacinação.

A cada ano, o cão deverá ser submetido ao reforço de todas as vacinas.

Outro ponto a ser ressaltado é a necessidade de se registrar todas as vacinas aplicadas no animal durante toda a sua vida em um cartão de vacinas, que armazenará o histórico de todas as imunizações realizadas.

Este registro é de extrema importância para o correto controle das aplicações, além de ser fundamental nos casos em que, por ventura, ocorrerem acidentes envolvendo arranhões ou mordidas.

 

5 - ALIMENTAÇÃO

Ao adquirir um filhote (certamente isso ocorrerá após o seu desmame) é necessário prover sua correta alimentação, de forma que sua dieta será composta preferencialmente por rações, que possuem os nutrientes corretamente balanceados para suprir as necessidades do cãozinho.

O Mastino Napoletano, por ter uma mandíbula bastante forte, desde filhote, pode ser alimentado com ração normal, sendo dispensada a papinha de desmame. Nos primeiros dias de contato com a nova fonte de alimentação, os “crocs” (grãos) de ração devem ser amolecidos com a utilização de leite ou água morna, adicionados em quantidade suficiente para torná-los macios, sem, no entanto, empoçar no fundo da vasilha.

Com o passar do tempo e com o crescimento do filhote, deve-se retirar a adição de água ou leite, a fim de acostumá-lo a triturar a ração antes de engoli-la.

Até os 12 meses de idade, a ração deve ser oferecida ao filhote em três porções diárias, de forma a satisfazê-lo totalmente.

Nos casos em que o filhote deixar sobras de ração no comedouro, esta deve ser retirada de seu contato, a fim de evitar a aproximação de moscas e roedores, além de condicionar o cão a se alimentar nos horários pré-estabelecidos.

Após atingir a idade de 1 ano, as refeições devem ser oferecidas em duas porções diárias.

Desta maneira, a incidência de problemas como a torção gástrica (comum em cães de porte grande e gigante) pode ser evitada, além de manter o cão satisfeito por maiores períodos do dia.

A ração deve ser servida em local onde não bata sol e não haja umidade. Quando umedecida (hidratada) ou molhada, se não for consumida em pouco tempo (cerca de 20 minutos), pode entrar em processo de fermentação, especialmente em dias de forte calor. Se o cão comer a ração fermentada, poderá apresentar problemas digestivos, podendo até se intoxicar.

A quantidade de ração a ser oferecida ao cão deve seguir as orientações do fabricante, as quais deverão estar estampadas na embalagem.

Vale ressaltar que, dependendo da qualidade da ração oferecida, a quantidade poderá variar também.

Aconselha-se que sejam oferecidas rações contendo níveis não inferiores a 30% de proteínas para filhotes com até 1 ano de idade e não inferiores a 22% de proteínas na fase adulta.

É importante destacar que mudanças alimentares devem ser realizadas respeitando uma fase de transição, de maneira a evitar desarranjos intestinais e estranheza no paladar dos cães.

Uma dica a ser passada é de que os cães sejam alimentados sempre em comedouros suspensos. Esta situação, além auxiliar a postura do animal, o condiciona a comer sempre no alto, evitando a ingestão de venenos, geralmente jogados no chão, além de dificultar a ação de roedores, que transmitem doenças aos cães.

Os Mastinos são cães cujo crescimento é bastante acelerado. Além desse aspecto, é importante considerar que ele possui a maior cabeça entre os cães e a ossatura mais pesada da espécie.

Assim, durante o primeiro ano de idade, torna-se necessária a ingestão suplementar de cálcio para que os ossos e cartilagens possam se consolidar de maneira sadia, de vitamina B12 e vitamina B6, a fim de reforçar os tendões, que terão o papel fundamental de dar sustentação a um corpo muito grande que se desenvolve em velocidade bastante elevada.

 

6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Mastino Napoletano é um cão extremamente fiel e devoto ao dono e seus familiares.

Sua inteligência e obediência o tornam um cão de fácil convivência, sendo capaz de proporcionar momentos de muita alegria e prazer.

Apresentando enorme eficácia na guarda da casa e da propriedade, é capaz de enfrentar qualquer perigo ou invasor com uma coragem invejável e sem temer qualquer obstáculo, não perdendo suas características de companheirismo e de carinho.

Porém, para que todas essas características se tornem latentes, é necessário que sua criação seja repleta de cuidados e atenção.

Os criadores dessa raça, comumente dizem que "O Mastino não é uma ciência exata".

Por ter um padrão bastante elástico e inúmeras peculiaridades, pode-se também dizer que "Cada Mastino é um Mastino".

O padrão estabelecido pela CBKC - Confederação Brasileira de Cinofilia proporciona aos criadores desta raça fascinante, a experiência única de poder aprimorar e aperfeiçoar suas características, tendo um desafio a cada ninhada, na busca pelo Mastino perfeito.

O estudo das características da raça e o conhecimento de suas peculiaridades é fundamental para que o Mastino Napoletano seja tratado com o respeito que deve ser dispensado ao chamado "Rei dos Molossos".

No intuito de auxiliar e estimular este estudo, é sugerida a leitura de livros específicos da raça, bem como a participação de fóruns e sites especializados, tendo como ponto de partida o site da SOMAN - Sociedade do Mastino Napoletano ( www.soman.org.br ).

 

Obs.: O conteúdo desse tópico conta com algum embasamento científico. Porém, muitas dicas são oriundas da experiência do editor do site, bem como trocas de informações junto a outros criadores e veterinários. Todas as práticas descritas são utilizadas no Stella Di Napole e apresentaram resultados eficazes. Por isso estão sendo divulgadas, ok?

 

Forte abraço e sucesso!!

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